domingo, 17 de junho de 2012

Pensamentos furiosos

Estou cansada de mim mesma. Não gosto de olhar no espelho, nem de fotos minhas... Raramente verás um sorriso meu em uma foto que não seja forçado. Algumas fotos mais velhas talvez ainda contenham algum sorriso verdadeiro, mas as atuais não. Eu penso demais.

Não faço nada, mas penso demais. Minha mente não cria nada, só pensa demais! Nada me faz parar de pensar e isso cansa. Me faz cansar de mim mesma. Minha imagem para mim é como uma mala pesada que eu tenho que carregar de um lugar para o outro sempre, uma mala que está algemada em meu pulso como aquelas malas cheias de dinheiro que ficam algemadas no pulso de algum personagem de algum filme, mas só que essas malas sempre são roubadas ou subtraídas de alguma forma. A minha ninguém quer nem vale tanto.

Às vezes penso tanto que o peso da minha cabeça tenciona os músculos do meu pescoço e fazem com que meus ombros caiam como os de quem carrega uma mochila. Mas eu não carrego nada. Se eu fizesse cada pensamento meu render uma moeda, não teria mais onde as guardar e elas continuariam chegando uma após a outra sem cessar e eu precisaria de algo bem maior do que o cofre do tio patinhas para armazenar tanta moeda. Eu penso demais, não faço nada com isso... Só penso demais.

Normalmente um texto desses sobre mim acabaria caindo em coisas como “não queria pensar tanto!” ou “queria ser diferente!” talvez um “seria mais feliz se não pensasse!”, mas seriam mais algumas mentiras pensadas para me fazerem pensar em quanto sou infeliz de tanto pensar. Parei com isso! Se não consigo fazer parar, não faço nada e fico assim. Pensando comigo mesma nessa solidão constante.

Sabe quando você fecha os olhos e diz para si “não vou pensar em nada!” e dois segundos depois milhares de imagens aparecem na sua mente, contas, trabalho, viagem, medo. Daí você começa a conversar consigo mesmo e quando se dá conta, continuou pensando sem parar, desesperadamente imagina uma vassoura varrendo tudo para longe ou um aspirador sugando cada pensamento para um tipo de buraco negro ou até um pincel de tinta branca apagando tudo o que aparece, mas quanto mais você tenta mais pensamentos brotam? Não? Vê? É disso que eu estou falando. Desse tipo de coisa de gente maluca que eu estou falando.

Maluca sim! Uma pessoa normal escutando uma boa música fecha os olhos e curte o som. Eu penso em que situação a musica foi escrita, se é bem escrita, que instrumentos executam a música, quem é o baterista, se o intérprete é bom, se ele está cantando como deveria (vou acabar achando que não), depois me questiono se sei o suficiente para julgar o cantor (descubro que não e me sinto mal por isso)... Muita coisa para uma cabeça só. Só para você ter uma ideia, nesse momento estou pensando em que escrever e não escrevendo porque teria que selecionar muito para que você que me lesse entendesse o que quero dizer mas não me achasse tão louca assim e, depois, pensando se eu mesma já me chamei de maluca que mal faz você me achar louca? E na verdade qual seria a diferença entre louca e maluca no final das coisas? E até desconfio que talvez tenha que apagar o louca e o maluca porque nunca é legal as pessoas acharem que você é doente, pois loucura no fim das contas é uma doença!

Ah! (e entenda isso como um grande grito!) quando foi que eu comecei a pensar tanto? Quando? O que desencadeou tudo isso? São questões que me fazem pensar ainda mais e me vejo divagando em pensamentos cada vez mais rápidos rumando para lugar nenhum. Tento me lembrar de quem fez isso comigo, eu sei a resposta desse questionamento, mas não quero admitir porque isso significaria dar importância demais a quem não merece nada! Mas aí eu começo a achar que não dar nomes aos bois é dar ainda mais importância porque se não fosse importante não doeria apontar o culpado, sendo a dor aparente então... E lá vou eu de novo!

Será que um dia eu cheguei a pensar menos do que agora? Será que já fui diferente?Não me lembro de ser diferente de nenhuma forma. Quando me lembro do meu passado sempre me vêm à cabeça os mesmos dramas, talvez isso signifique que não haja nenhum culpado visto que sempre fui assim e, assim sendo, talvez eu nunca tivesse tido consciência disso até esse momento em que sentei aqui para escrever isso...

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