Diário de quem escreve um livro!

Dia 30/07/2010

Querido Diário... É assim que se começa um diário não é? Eu nunca entendi a razão de se personificar o diário, mas enfim, é assim que se começa e eu estou a fim de seguir o modelo.
Desde de que me conheço por gente sempre quis escrever um livro, tanto que a primeira palavra que eu falei foi papel. Na escola eu sempre fui boa em ciências, inglês e língua portuguesa. As exatas sempre foram a fonte de todos os meus desesperos e preocupações na escola, não achava possível que as coisas fossem retas e diretas como são na matemática, para mim, as coisas sempre têm um outro lado, os resultados sempre são inconstantes e tamanha exatidão nunca fez sentido. Sendo assim, eu me enveredei para o mundo das Letras. Prestei vestibular na Univerdidade de São Paulo e, adivinhem, eu passei. Gostei bastante do curso, sempre achei que aquela faculdade fosse a fonte de toda a sabedoria... Um pouco utópico, mas nos primeiros anos de faculdade o aluno sempre acha que aquela formação vai fazer com que ele consiga mudar o mundo. É claro que esse deslumbramento só dura até a primeira reprovação e, depois disso, se desenrola um processo de desmistificação de todas as leituras. Até que, passados 2 anos, você quer processar a faculdade por propaganda enganosa.


Foi o que aconteceu comigo, na verdade, é o que acontece comigo até hoje. Quando eu percebi que a faculdade que eu escolhi cursar não era nada daquilo que eu queria que fosse e, quando essa mesma faculdade, me ensinou que nenhuma outra seria instaurou-se uma crise. A crise do terceiro ano.

Passei no vestibular em 2003 e, agora em 2010, ainda não me formei. Não me sinto mal porque não sou a única, existem muitas outras pessoas que estão na mesma situação e todos são capazes de formular sua própria desculpa. A minha é "tudo culpa da crise!".

Durante esses longos anos de curso aprendi muitas coisas interessantes, muitas técnicas e dicas, estudei realmente bastante e isso me fez pensar um pouco.

Como eu conseguiria colocar tudo o que eu li em prática? Um minuto depois que eu fiz essa pergunta um antigo desejo se apresentou como resposta. Escrever um livro.

Mas escrever um livro não seria nada fácil para uma pessoa como eu. Eu sempre vi os escritores como verdadeiros heróis, vencedores invictos nas lutas com as palavras e grandiosos seres cheios de criatividade. Como eu seria assim?

Um belo dia, enquanto eu assistia tranquilamente a TV, vi um programa onde a entrevistada era uma ex-prostituta que já tinha tido 5000 clientes e escrevera um livro sobre isso. Indignada, mudo de canal e quem está na tela? Bruna Surfistinha! Isso era um sinal. Definitivamente um sinal.

Se essas Senhoras de Burlesco podiam ter escrito um livro, eu também poderia e nem precisria me prostituir. Mas, para isso, eu precisaria de uma preparação e uma introdução no mundo da escrita.

Acredito piamente que as coisas que acontecem não voltam atrás, nada tem retorno e o planeta não tem volta, por isso, criei um blog que chamei de Planeta Sem Retorno e lá eu escrevo algumas precepções e releio algumas notícias do dia a dia. Uso o blog como uma forma de treinamento e um método de mostrar as minhas idéias sobre o poço sem fundo e sem volta para o qual o planeta está caminhando. Ajudou muito a soltar a mão, ordenar as coisas na cabeça e a fazê-las passar para as pontas dos dedos de forma organizada e legível. Agora, acho que eu estou pronta!

Comecei a pesquisar sobre vários assuntos e o escolhido foi um que tem mexido com a imaginação humana desde sempre, a viagem no tempo.

Eu criei as personagens e alguns roteiros mas, o mais difícil, é o enredo da história. Queria uma coisa que tivesse cabeça, corpo e pés. Algo inteiriço e consistente que possa fazer com que as personagens tenham a liberdade de passear pelas possibilidades da história.

Ainda estou nessa parte. Para isso eu tentei um pequeno roteiro, mas ele acabou virando um grande "pequeno roteiro". Eu acabei caindo caindo em armadilhas e detalhando demais, então eu tentei usar uma outra tática. Refazer o roteiro sem usar o nome dos personagens, e colocar todas as possibilidades do mundo novo que eu estou criando, de forma simples, no papel. Papel mesmo, escrever com a caneta faz com que você não se extenda muito e que o cerébro exercite a capacidade de ser suscinto da maneira que eu precisava ser. Funcionou, tenho um roteiro do meu enredo e a minha história já tem um começo e um fim. O meio ainda esta um pouco enrolado e eu ainda acho que preciso pesquisar um pouco mais, mas sinto que estou indo pelo caminho certo.

Por hoje será só isso.

Até mais Diário.

________________________________________________
Dia 10/08/2010

Sabe a dúvida que existe entre fazer o que se gosta e o que se deve?


Sempre a senti, embora sempre tenha vivido como quem não tem escolha, a pulga sempre esteve atrás da minha orelha. As vezes ela coça, como está coçando hoje.

Tenho muitos sonhos, e acredito que todos os sonhos são possíveis se corrermos atrás...Mas isso é quando o sonho é dos outros, os meus próprios sonhos são impossíveis. A inércia da minha vida não permite que eu siga em direção ao caminho das minhas vontades, e qualquer movimento de resistência contra essa maldita inércia faz com que eu leve uma surra de vara da realidade.

É que essa inércia é uma composição de coisas, situação e pessoas muito importantes na minha vida. Essa mistura de sentimentos vai acabando com as esperanças, e eu não me sinto mal com isso por que os envolvidos moram no meu coração, mas eu também não me sinto bem.Os sonhos vão indo embora um a um e os pesos da vida real vão caindo sobre mim na mesma velocidade e eles não são leves.

Então, em momentos como esse, de dúvida me deixam com uma sensação de indecisão cortante e um nó imenso para na minha garganta porque sei que qualquer decisão que eu tome pode significar um sonho a menos na minha vida.

Como eu disse antes eu tenho muitos sonhos e perder alguns não me custa muito, mas hoje especialmente, senti um certo medo de que um dia esses sonhos se acabem e eu fique vazia. Esse pensamento vem fustigando o meu cérebro, não sei o que fazer ou para onde correr.

A depressão chega quando eu penso que as pessoas que eu amo, as situações que eu crio para mim e a minha vida real são os carrascos das minhas esperanças, não posso culpar ninguém senão a mim mesma porque as escolhas são feitas por mim, mas eu não sou sozinha e no momento das decisões a balança pesa sempre para o mesmo lado...

Escrever esse livro é uma tentativa de realização de um sonho possível. Um sonho que, para ser realizado, eu não preciso sair de casa, não preciso sair do país nem ter muito dinheiro.

Ninguém está levando fé em mim, ninguém está acreditando mas ninguém precisa acreditar mesmo porque o sonho é meu! Realizar esse sonho é um passo para a criação de outros sonhos possíveis e isso irá fazer com que eu não fique vazia quando não me restar mais nada.

Eu sei que um dia eu vou chegar lá, nesse dia em que todas as coisas terão acabado e os sonhos serão escassos.

O tempo não para, o mundo não volta e o planeta não tem retorno. A idade chega e as oportunidades vão, as possibilidades ficam escassas até você chegar ao momento em que tudo acaba... Isso acontece diariamente, o universo dá às pessoas sinais, como pequenos alarmes para que elas acordem e sejam capazes de enxergar para onde estão indo, algumas até vêm mas, a maioria volta a dormir.

Tem horas que eu chego a acreditar que a realidade não passa de um sonho e que quando a pessoa acorda do sonho para o sonho é que ela descobre a felicidade... Loucura não é? Mas eu me recuso em acreditar que a verdade suprema seja isso o que chamamos de realidade, não pode ser tão limitada.

Enfim, a minha vida está se movendo em volta de uma escolha nesse momento e depois que a decisão é tomada não existe retorno, o negócio é seguir em frente e não olhar para trás.

________________________________________________

13/08/2010


Olá,

Faz uns dias que eu não consigo escrever uma só linha. Abro o Word e vejo aquela imensidão branca, nada me vem. Fico me sentindo igual à página que pede para ser preenchida. Tentei ler um pouco, não ajudou. A página ainda está em branco.

Antes de sentar em frente à tela eu tenho tantas coisas em mente, tantas visões e tantas possíbilidades... Como é que nenhuma delas pode ser viável?

Estou com tanta raiva de mim mesma, como posso estar em branco quando se trata de realizar o grande sonho da minha vida que, talvez, seja o único que eu vou conseguir realizar sozinha?

Ando de um lado para o outro, observo várias coisas. Nem o roteiro que eu fiz está fazendo sentido e são tantas decisões que eu preciso tomar. Quem vai ser o narrador? Qual o nome das personagens? Qual vai ser a reviravolta?

E pensar que eu achei que isso já estava resolvido.

Estou me forçando até para escrever até esse diário... Os meus ombros doem tanto, as minhas mãos ficam digitando todas as letras erradas, eu não me acostumo com o teclado do computador novo e está cada vez mais sofrível escrever...

Não quero me lamentar e vou parando por aqui.